Não tenho medo de morrer. aliás, um pouco. Pergunto-me a mim mesmo: “como será que irei morrer”? Não sei a resposta. Ninguém sabe. A morte é como se fosse uma prisão, você não tem saída, não tem escapatória. Você pode tentar fugir, mas algum dia será surpreendido e ela te encontrará. Não tenho medo de morrer, tenho medo de perder que eu amo; medo de perder quem eu mais quero que fique ao meu lado.
Agora já passa das 21h00min de uma quinta feira muito fria. Estou sentado na minha cama olhando as fotografias e ouvindo as musicas que meus pais cantavam para mim quando era menor. Fico imaginado como seria eles cantando… Minha mãe tinha uma voz linda e sabia cantar – Ela amava cantar. Já meu Pai gostava de cantar, mas não tinha muita vocação para isto. Meu telefone não para de tocar… Parentes, amigos e conhecidos não param de ligar para me consolar e dar os pêsames pela morte dos meus pais. Sim, eles morreram faz dois dias em um acidente de carro. Estou morando por enquanto com minha avó, agora só sou eu e ela nesta casa imensa e cheia de eco e solidão. Minha avó já está velha também, tenho que cuida dela. Como me sinto? Sinto um vazio enorme em meu peito, não consigo mais sorrir, alias, já fazia um tempo que não conseguia. Agora que meus pais foram embora já nada mais faz sentido, nada mais importa agora. Só quero ficar sozinho, quero lembrar-me dos momentos bons que passei ao lado deles…
– Vai dormir querido, você precisa descansar – Disse minha avó.
– Daqui a pouco, estou bem. Só quero terminar de ouvir essa musica, minha mãe adorava ouvi-la quando estava feliz. – Respondi, com os olhos cheio de lagrimas e com a voz saindo em meio de soluços de tanto chorar.
Então depois que a musica acabou, desliguei o som e fui arrumar minha cama para que assim eu pudesse dormir e sair um pouco desse pesadelo que estava acontecendo.
08h33min
– Acorda – Disse a empregada enquanto abria as cortinas do meu quarto para que o sol batesse em meu rosto. – O café já está pronto.
– Avisa que já estou descendo – respondi.
Tomei um banho e desci para o café da manha. Minha Avó já estava La, ela tem a mania de acordar cedo todos os dias, já é uma rotina para ela.
– Joseph, hoje irei ao teatro, quero que vá comigo. Você precisa sair dessa casa, precisa viver a sua vida. – Disse minha avó.
– Ok, a senhora que sabe.
Tomei meu café e subi para meu quarto, tranquei a porta, liguei meu mp3 e comecei a ouvir as musicas que gosto enquanto lia um livro.
A musica estava tão boa e Joseph caiu no sono. Passam-se as horas até sua avó bater na porta para ver se ele estava pronto.
– Joseph, já está pronto? Já está quase na hora.
– Eita vó, sem querer cai no sono. Daqui a 20min estou descendo.
Levanto-me depressa da cama e vou correndo para o banho. Sai do banho e fui procurar a roupa que eu iria usar. Então abri o guarda-roupa e vi uma roupa que minha mãe gostava que eu usasse: uma calça jeans escura, uma camiseta branca da Calvin Klein, com um colete preto por cima, uma bota cano curto cor preta e um cachecol que ela me trouxe da Alemanha. Foi então que decidi usar aquela roupa. Pronto, já estava pronto para sair. Desci as escadas para encontrar minha avó e ir ao teatro.
– Você está lindo, Joseph. – Disse minha avó.
– Obrigado! Minha mãe adorava tanto quando eu usava está roupa.
– Você gosta de teatro?
– Não muito. Me da um tédio, um sono, fico com vontade de dormir. – Respondi com um sorriso no canto da boca.
Enquanto estava a caminho do teatro Joseph começou a escrever no celular. – ele escrevia e sua avó fumava com a janela do carro aberta.
Esse era o texto que ele estava escrevendo:
Saudades. Sinto saudade de você. Nós só sabemos o que é saudade mesmo quando perdemos uma pessoa por completo. Sem ter como tê-la de novo. Você se foi, deixou lembranças boas comigo. As fotos que tiramos; os vídeos que gravamos e as musicas que você mais gostava hoje eu não paro de ver e ouvir. Não me canso de fazer isso. Tranco-me em meu quarto e só saio de lá quando estou com fome. Por que vocês se foram? Pergunto-me isso toda hora. Será que era a hora certa mesmo? Nós tínhamos tantos planos para fazer… – ele terminou de escrever por que chegou ao local desejado.
Chegando lá, Joseph e sua avó sentaram nos seus devidos lugares e esperaram o show começar.
Bem que Joseph falou que teatro te dava sono, se passaram 30 minutos de show e Joseph dormiu na cadeira macia do teatro.
No final do show sua avó Amélia o acordou para que fossem embora.
– Vó, por que não me acordou?
– Você estava tão lindo dormindo, fiquei com dó te de acordar e te despertar do seu lindo sono.
Eles entraram no carro e foram a caminho de sua casa.
Chegando lá Joseph saiu do carro e subiu para seu quarto, entrou no quarto e deitou na cama com a roupa que estava e dormiu.
– Esse menino é tão bom, não merecia ter perdido os seus pais tão jovem assim. – Comentou dona Amélia com sua empregada.
– Eu também acho. Ele é um menino de ouro. Não merecia ter perdido os pais assim. Tão jovem ele, né? Só tem 16 anos.
– Sim, ele é um neto muito bom. Eu amo muito o Joseph. Bom, agora vou dormir, boa noite Pam.
Amélia foi para seu quarto enquanto Pam fechava a porta do quarto de Joseph.
Sérgio Luiz, (realidadesdeummenino) - Cap 1: Não tenho medo de morrer. (via realidadesdeummenino)
(via perdid-a)